A força que vem do banco


Eu já disse por aqui que atualmente o Real Madrid é o time que joga o futebol que mais me agrada. Toque de bola bonito e objetivo, velocidade, constantes trocas de posições e, principalmente, jogo coletivo. Todos os jogadores merengues têm um excelente trato com a bola, e dificilmente os vemos dando chutões a esmo para a frente. Eles a passam de pé em pé, mesmo quando acuados pela marcação adversária. E, por mais que Toni Kroos e Cristiano Ronaldo atuem pela esquerda e Modric e Bale/Isco preencham o flanco direito, vemos esses e mais jogadores em todos os locais do campo. Porém, mais do que isso, vemos as "peças" do Real serem trocadas sem mudança significativa no estilo de jogo da equipe - ou apenas mudanças positivas. Esse é o grande trunfo do time madridista na tentativa de ter em 2016/2017 sua melhor temporada desde 1985/86, quando conquistou o Espanhol e a Copa da Uefa.

Entre os times ingleses é comum haver 15, 16 ou até 17 "titulares". Na Terra da Rainha, além da liga, da copa nacional e das eventuais competições europeias, há ainda a Copa da Liga e é praticado um futebol de extrema velocidade mesmo entre os times de menor destaque. No entanto, nos outros países é mais comum conseguirmos dizer de cor os 11 titulares do Real Madrid, do Barcelona, do Paris Saint-Germain, da Juventus ou até do Bayern de Munique - exceção feita ao time de Guardiola, que gostava de promover testes e mudanças constantes e ainda tinha muitos problemas de lesão. Ressalto que mencionei aqui times de maior destaque e orçamento, pois são os que conseguem arcar com um banco de talento. Este ano, porém, por mais que o Real tenha seus 11 titulares, Zidane fez alterações que criaram outras seis ou sete formações principais nos Merengues. Principalmente na reta final de abril e maio, quando disputam-se os jogos mais decisivos e os atletas estão mais cansados e suscetíveis a lesões.

Casemiro ou Kovacic, Benzema ou Morata ou Lucas Vásquez, Varane ou Pepe, Sergio Ramos ou Nacho, Kroos ou Asensio, Bale ou Isco ou James Rodríguez. Sempre que essas mudanças foram promovidas, o Real manteve seu estilo de jogo e sua letalidade. Diferentemente, por exemplo, do maior rival Barcelona, que não tem substitutos à altura para o trio MSN ou mesmo para o meio, a zaga e as laterais. Seja por lesão, para evitar o desgaste ou apenas para fortalecer algum fundamento ou estratégia, o banco do Real Madrid fez a diferença no Campeonato Espanhol e na Champions. A exceção recai sobre as laterais, onde Fábio Coentrão - ou Nacho, quando improvisado - não se compara a Marcelo, o melhor lateral esquerdo do mundo há pelo menos sete anos, e Danilo nunca conseguiu jogar em Madri o futebol que desfilou pelo Porto.

Infelizmente, esse diferencial merengue pode não durar muito mais. Isco já teve seus momentos de insatisfação com o banco, e James, depois até de algumas "birras", já deve estar negociando sua transferência. Morata é outro que pode sair novamente, já que sua presença na seleção espanhola e na Copa de 2018 depende dos minutos em campo. Aliás, faz sentido negociar alguns jogadores de altos salários e que seriam 100% titulares em qualquer outro time no mundo para contratar talentos mais jovens e mais baratos - é preciso levar em conta ainda que a maioria dos principais jogadores madridistas já passa dos 27 anos de idade. No entanto, por mais que contratações galácticas e midiáticas sejam características do Real Madrid, a diretoria merengue deveria seguir aproveitando os jogadores da base (Morata, Vásquez, Mariano Díaz e Marcos Llorente, atualmente emprestado ao Alavés, mas que deve voltar na próxima temporada) e nas aquisições mais "discretas" (Kovacic, Asensio e Isco), como vem fazendo recentemente. Se seguir acertando na política de contratações/renovação do elenco, o Real Madrid ainda pode se manter no topo por muitos anos.

Crédito: Ángel Martínez/realmadrid.com

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