Gol (contra) da Fifa


A primeira rodada da Copa das Confederações ainda nem terminou e já tem um protagonista: a arbitragem por vídeo. Os dois jogos deste domingo tiveram gols anulados ou validados por meio da conferência do impedimento por meio do vídeo. E mostrou que a Fifa ainda tem muito a aprender sobre esse recurso.

No primeiro jogo do dia, Portugal x México, o primeiro tento português foi corretamente anulado por impedimento. No entanto, a imagem do lance foi reproduzida apenas na sala de controle da arbitragem: nem os espectadores no estádio, nem os jogadores e nem quem assistia à competição em casa viu o replay da jogada. A repetição, com pausas e câmera lenta, aconteceu apenas no intervalo da transmissão do Sportv.

Em qualquer esporte onde o "desafio" já está consolidado, como tênis, basquete ou futebol americano, tanto o árbitro em campo/quadra quanto os torcedores e os jogadores na arena conferem o lance, que também é exibido na transmissão por televisão da competição. É o mínimo que se deve fazer: analisar a jogada e chegar a uma conclusão mostrando para quem também está assistindo ou jogando o porquê da decisão da arbitragem. Qualquer atitude diferente disso deixa no ar uma forte dúvida quanto à veracidade desse recurso. Aliás, é assim também no próprio futebol, quando se usa a tecnologia na linha do gol: uma reprodução do lance com a ajuda de computação gráfica é exibida instantaneamente. Porém, não foi isso que aconteceu na primeira vez que essa novidade foi utilizada num torneio entre seleções - evento-teste para a Copa do Mundo, diga-se de passagem, o que inclui também a testagem desse recurso.

Já em Camarões x Chile, a arbitragem por vídeo primeiro anulou um gol de Vargas e validou outro do mesmo atacante na vitória sul-americana por 2 a 0. No primeiro lance, o último do primeiro tempo, o árbitro anunciou a conferência do lance em vídeo quando os chilenos ainda comemoravam. E em seguida anulou o tento, causando muita revolta entre os jogadores, que falavam e gesticulavam apontando para o telão do estádio, dando a entender que pediam para também conferir o "veredicto". Apesar de ter levado uma grande equipe de narradores, comentaristas e repórteres para a Rússia, a transmissão do canal por assinatura não soube dizer se o lance havia sido repetido no telão.

Quando houve finalmente a reprodução do lance com ajuda de recursos visuais para identificar o posicionamento dos jogadores, as linhas marcadas sobre o campo não estavam posicionadas com exatidão, e o impedimento continuou parecendo equivocado - para mim e também para os comentaristas da transmissão do Sportv Vargas estava na mesma linha do penúltimo defensor camaronês.

Na segunda etapa, o bandeirinha anulou o segundo tento chileno, mas a conferência por vídeo mostrou que Sánchez, que recebeu o passe, tinha condição de jogo, e o gol foi confirmado. Dessa vez as linhas de computação gráfica mostraram-se um pouco mais exatas, mas longe de lembrar a claridade do desafio do tênis, por exemplo, onde se mostra se uma bola encostou ou não na linha da quadra por questão de milímetros. Além disso, a repetição da jogada foi mostrada - ao menos na televisão - apenas após a decisão do árbitro ser confirmada, e não durante a deliberação.

Se a Fifa pretende manter esse recurso para a Copa do Mundo e liberá-lo para competições nacionais e continentais, ela tem muito o que aprimorar. Primeiramente, a conferência não deve ser exclusiva de três árbitros numa salinha, que apenas comunicam o veredicto final ao juiz principal. É preciso que o próprio, assim como jogadores e espectadores, também tenham acesso às imagens. E, para que qualquer resquício de dúvida seja eliminado, uma boa e instantânea computação gráfica, que marque claramente e com exatidão as posições dos jogadores, podendo, inclusive, mudar a angulação da "geração de imagens", é necessária.

Créditos: fifa.com/Getty Images; reprodução youtube

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