Liverpool voltando a ser Liverpool


Semana passada, o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões da Uefa colocou o Liverpool numa chave com Sevilla, Spartak Moscou e Maribor, da Eslovênia. Três dias depois, o time de Jürgen Klopp bateu o Arsenal em casa por 4 a 0 numa de suas melhores exibições recentes. O Liverpool não tem o elenco super-estrelado do Manchester City nem gastou os milhões do Manchester United em contratações, mas, aos poucos, vem reconquistando seu lugar no panteão do futebol. Como é bom ver o Liverpool voltar a ser Liverpool!

Nos primeiros jogos da temporada, vitórias de 2 a 1 e 4 a 2 sobre o Hoffenheim, no confronto teoricamente mais difícil da última fase eliminatória da Champions. Os triunfos garantiram a segunda participação dos Reds na fase de grupos da competição europeia em seis anos, e o sorteio da semana passada colocou o time inglês numa chave equilibrada, mas em que a classificação às oitavas não deve ser uma tarefa hercúlea. As partidas contra o Sevilla, o adversário mais difícil do grupo, oferecem ao Liverpool, inclusive, uma chance de se redimir da derrota na final da Liga Europa 2016.

A primeira prova de fogo de 2017/18, porém, foi o clássico contra o Arsenal já na terceira rodada do Campeonato Inglês. Ainda sem Philippe Coutinho, que, com "dores nas costas" até agora não estreou na temporada, o Liverpool foi superior em toda a partida, e a goleada de 4 a 0 poderia ter sido ainda maior não fosse a ótima atuação de Petr Cech no gol dos Gunners. Os Reds não têm o melhor elenco da Premier League e podem até fazer frente aos favoritos ao título nos confrontos diretos, mas será uma bela surpresa se chegarem ao fim da temporada brigando ponto a ponto pelo caneco inglês - pelos investimentos feitos recentemente, City, United e Chelsea levam ligeira vantagem sobre os concorrentes, e Liverpool, Arsenal e Spurs correm por fora. Porém, Jürgen Klopp conseguiu dar consistência ao plantel e, com alguns reforços pontuais e não tão badalados, formou um time que, quando inspirado, é muito difícil de ser batido.

Digo "quando inspirado" porque o calcanhar de Aquiles do Liverpool se dá justamente em confrontos teoricamente mais fáceis. Na última temporada, derrota em casa, de virada, para o Crystal Palace, e tropeços contra Bournemouth e Hull City, por exemplo, tiraram o Liverpool da briga pelo título, além, é claro, da eliminação da FA Cup e da Copa da Liga, também em casa, para Wolverhampton e Southampton, respectivamente. No entanto, os Reds terminaram a temporada sem perder para Arsenal, Chelsea, City, United ou Tottenham. Se Klopp conseguir manter uma regularidade nas atuações de sua equipe, o time tem tudo para brigar por títulos e voltar a fazer bonito na Champions, como se espera do time inglês com mais títulos europeus - cinco, contra três do United.

Recentemente o Liverpool passou por uma grande crise institucional, mudando de donos e quitando dívidas. Se viu obrigado a vender alguns de seus melhores jogadores e apostou em contratações que não deram certo, sejam badaladas como Balotelli, Benteke ou Andy Carroll, ou mais discretas como Iago Aspas ou Jordon Ibe. Passou quatro anos ausente da Champions e, quando voltou, em 2014/15, foi eliminado na fase de grupos, terminando em terceiro na chave, dois pontos atrás do suíço Basel. A chegada de Klopp, em outubro de 2015, deu novos ares ao time. O técnico alemão sabe trabalhar com elencos jovens, e as chegadas de Mané e Wijnaldum reforçaram o setor ofensivo, Matip e Sakho, o defensivo, Emre Can virou titular no meio de campo e Alberto Moreno subiu de produção na lateral esquerda.

Na última temporada, a equipe sentiu muito a ausência de Coutinho, que vira e mexe passa longos períodos no departamento médico. Como o brasileiro já está praticamente de malas prontas para o Barcelona, o Liverpool decidiu começar a temporada sem ele, que foi o maestro dos Reds nos últimos anos. E começou bem. O atacante Salah fez um partidaço contra o Arsenal, e Firmino e Mané já somam seis gols em cinco partidas. Para o ano que vem já está garantida a chegada de Naby Keïta, do RB Leipzig - contratação mais cara da história do clube: 68 milhões de euros -, e os Reds ainda miram em Lemar, excelente atacante do Monaco de 21 anos, e Renato Sanches, promessa que ainda não vingou no Bayern. O Liverpool pode não ter os astros do United, o técnico badalado do City ou o dinheiro do Chelsea, mas tem um time forte, jovem e em crescimento. E história e tradição como nenhum outro time inglês.

Crédito: liverpoolfc.com

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