Que grande US Open!


Que dádiva tem sido ter as tardes e as noites livres para poder assistir ao US Open de tênis! Por sorte, vi as duas melhores partidas do torneio até agora, Halep x Sharapova e Thiem x Del Potro, e, nesta terça-feira à noite, mais um grande jogo, Venus Williams x Petra Kvitova. Quem diria que um Grand Slam sem Djokovic, Murray e Serena Williams poderia ser tão bom?

Logo na primeira rodada, Simona Halep e Maria Sharapova fizeram a maior partida do US Open até o momento - talvez só perca em emoção para Thiem x Del Potro na noite da última segunda-feira. Não é todo dia que se vê duas das melhores jogadoras do mundo enfrentando-se logo no início de um Grand Slam. Halep entrou como cabeça de chave número 2, enquanto Sharapova, atualmente na posição 146 do ranking da WTA, ganhou um "wild card" para participar da competição. Jogando seu primeiro Grand Slam desde que voltou da punição de 15 meses por doping, a russa mostrou seu cartão de visitas e calou os críticos com uma excelente performance.

Não vou entrar na polêmica sobre Sharapova merecer participar de grandes torneios estando tão mal rankeada e após uma punição por doping. Independentemente disso, a russa é uma excelente tenista, certamente uma das 10 melhores do mundo, e vê-la em quadra, em grande forma, é sempre bom. A presença da tenista não se deu apenas por seu excelente desempenho ou histórico, mas também porque Sharapova é a tenista feminina de maior apelo comercial no circuito - e provavelmente em toda a história do tênis -, e qual torneio e patrocinador não gostaria de tê-la em suas quadras. As críticas de Caroline Wozniacki, por exemplo, que se mostrou bastante insatisfeita com jogar na quadra 5, enquanto Sharapova fez todas as suas partidas no US Open na quadra principal, tem motivos bastante comerciais: no dia 28 de agosto o torneio teve seu maior público em dia de abertura da história, com 61.839 espectadores. Por mais que colocar a cabeça de chave número 5 para jogar na quadra 5 seja uma péssima escolha da organização, Wozniacki esquece que vêm dos organizadores e patrocinadores, que faturam com Sharapova na quadra principal em horário nobre, os 85 mil dólares de premiação que ela recebeu ao cair na segunda rodada.

Após eliminar Halep, Sharapova ainda venceu Timea Babos e Sofia Kenin até cair para Anastasija Sevastova, nas oitavas de final, sempre no Arthur Ashe Stadium. Apesar de ter abusado dos erros não forçados (51) na sua quarta partida em Nova York, o saldo da russa foi positivo. A tenista aprimorou alguns fundamentos durante o período fora do circuito, voltou com uma devolução de saque primorosa e mostrou que, independentemente dos "wild cards" e da antipatia de algumas colegas, vai brigar para voltar aos primeiros lugares no ranking.

Com a saga de Sharapova terminada, e Nadal e Federer fazendo partidas sem muito brilho, a segunda semana do US Open começou com um grande jogo na Grandstand, terceira quadra do complexo de Flushing Meadows. O argentino Juan Martín del Potro entrou em quadra muito gripado e com febre e perdeu os dois primeiros sets para o austríaco Dominic Thiem por 1-6 e 2-6, dando a entender que o encontro terminaria rapidamente. No entanto, empurrado pela torcida, que transformou a Grandstand na Bombonera, Del Potro renasceu, destruiu Thiem no terceiro set, salvou dois match points no quarto e fez um quinto set irretocável para avançar às quartas de final. Com o jogo finalizado, o tenista levantou os braços em um misto de alívio e agradecimento à torcida e, visivelmente emocionado, proporcionou uma das cenas mais bonitas do torneio. Na entrevista após a partida, o jogador ainda agradeceu os fãs em espanhol. Impossível não ficar arrepiada.

Em um torneio desfalcado de alguns dos melhores tenistas do mundo - além de Murray, Djoko e Serena, Wawrinka, Nishikori e Raonic também desistiram da disputa -, Del Potro e Sharapova foram responsáveis por uma grande primeira semana em Nova York, além das grandes perfomances de Denis Shapovalov, carismático estreante canadense de 18 anos que parou nas oitavas de final, e Petra Kvitova. A tcheca foi assaltada há cerca de oito meses e sofreu cortes de faca que resultaram em lesões no tendão e num nervo da mão esquerda - Kvitova é canhota. A tenista voltou às competições em Roland Garros, mas caiu logo na segunda rodada. No US Open, porém, Kvitova derrotou Jankovic e Caroline Garcia antes de bater uma das favoritas ao título, a espanhola Garbiñe Muguruza, que está em grande fase após vencer Wimbledon e, mesmo eliminada, ainda pode alcançar a primeira colocação do ranking ao fim do torneio.

Nesta terça-feira, Kvitova e Venus Williams fizeram uma boa partida, com destaque para o terceiro set. A tcheca, porém, acabou derrotada, e, aos 37 anos, Venus segue para sua terceira semifinal de Grand Slam em 2017 (ela foi finalista no Aberto da Austrália e em Wimbledon). A vitória da americana, aliás, já garante uma representante dos EUA na final: Venus vai enfrentar Sloane Stephens na próxima quinta-feira. Há ainda a possibilidade de as semifinais serem totalmente americanas, já que CoCo Vandeweghe (contra Karolina Pliskova) e Madison Keys (contra Kaia Kanepi) jogam suas quartas-de-final nesta quarta-feira. Como muitos, eu também sou do tipo que costuma torcer contra os Estados Unidos em praticamente tudo, mas a presença de quatro americanas nas semifinais seria um excelente cala-boca ao repórter que, há dois meses, perguntou a Andy Murray sobre Sam Querrey ser o primeiro representante dos EUA numa semifinal de Grand Slam desde 2009.

A excelente campanha dessas quatro norte-americanas valoriza ainda mais o tênis feminino em geral, já que os EUA são um dos principais produtores de tenistas de ponta no mundo e, como o repórter equivocado ressaltou, não colocam um tenista masculino entre os principais do mundo - em chaves de simples - há quase dez anos. Na entrevista após a partida, Venus foi perguntada sobre esse feito de suas conterrâneas e respondeu da melhor forma possível. Disse que, quando ela chegou ao circuito, começou jogando entre grandes tenistas americanas, Lindsay Davenport, Jennifer Capriati e Monica Seles, e que essa nova onda de boas jogadoras se deve muito ao trabalho de sua irmã, Serena - pois é por meio do exemplo de ídolos que um se inspira a seguir carreira no esporte e ir cada vez mais longe. A americana foi modesta ao não falar de si. Apesar de não vencer um Grand Slam desde 2008, Venus acumula sete troféus de simples dos maiores torneios de tênis do circuito, além de outras nove finais perdidas (sete para a irmã) e outros 14 títulos (em 14 finais) em duplas femininas e dois em duplas mistas. Não preciso nem dizer pra quem vai a minha torcida na chave simples feminina, né?

Crédito: USTA/Darren Carroll, USTA/Garrett Ellwood e USTA/Pete Staples

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