Mercado: a reconstrução do Milan

Já se passou uma semana, o Manchester United gastou 81 milhões de libras na compra de Lukaku, o City investiu mais 15 milhões no volante Douglas, do Vasco, e o Milan segue como o time mais que mais gastou até o momento nesta janela de transferências, com 125 milhões de euros. No total, chegaram a Milanello oito caras novas: o atacante português André Silva (36,5 milhões de euros, ex-Porto), o lateral-direito italiano Andrea Conti (24 milhões, ex-Napoli), o meia turco Çalhanoğlu (21 milhões, ex-Bayer Leverkusen), o zagueiro argentino Musacchio (17 milhões, ex-Villarreal) e o lateral-esquerdo suíço Ricardo Rodríguez (17 milhões, ex-Wolfsburg), além do volante marfinense Kessié, do goleiro Antonio Donnarumma e do ala Fabio Borini, por empréstimo ou valores menores. Todos têm entre 21 e 27 anos de idade, o que evidencia o objetivo do Milan de não só se restabelecer como um time de ponta na Europa, como também de se manter no topo. No entanto, a ação mais importante da nova diretoria milanista neste verão europeu foi a renovação do goleiro Gianluigi Donnarumma.

Donnarumma é a melhor revelação da base do Milan desde a geração de Maldini, Costacurta e Albertini, no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990. Em outubro de 2015, aos 16 anos, o arqueiro fez sua estreia entre os profissionais rossoneri e não perdeu mais a posição. A primeira convocação para a seleção italiana principal veio em agosto de 2016, aos 17, e o primeiro jogo como titular no lugar de Buffon, de 39 anos, em março deste ano. Com 1,96m de altura, rapidez, agilidade e uma envergadura impressionante, que lembra o alemão Manuel Neuer, Donnarumma é também a melhor revelação italiana dos últimos tempos. Em se considerando que Balotelli e El-Shaaraway falharam em liderar uma nova geração italiana de destaque, essa incumbência agora cabe ao goleiro do Milan e a Verratti, do Paris Saint-Germain.

As defesas seguras de Donnarumma no gol rossonero e sua impressionante maturidade apesar da juventude logo o transformaram no objeto de desejo dos principais times da Europa. Com o Milan em uma crise financeira e institucional, a torcida dava como certa a saída do goleiro, como aconteceu com Thiago Silva e Ibrahimovic, principais jogadores da equipe em 2012. Historicamente, o clube rossonero é um dos mais importantes do mundo, com sete Ligas do Campeões da Uefa (segundo maior ganhador, atrás apenas do Real Madrid, que tem 12) e 18 títulos do Campeonato Italiano, entre outras conquistas. Porém, perdeu importância e poder aquisitivo na última década. Diferentemente da Juventus, o Milan não soube resistir à crise do futebol italiano, foi obrigado a vender seus principais jogadores para equilibrar as finanças, deixou de contratar atletas de destaque e deixou também de avançar e, mais recentemente, de se classificar para a disputa da Champions. Este ano, a equipe disputa a Liga Europa (a partir da terceira rodada pré-eliminatória) depois de três anos de ausência nas competições europeias.

No entanto, com a venda do Milan para um grupo de investimentos chinês, o clube pretende reconquistar seu lugar no cenário internacional, e a manutenção de Donnarumma é um passo primordial nessa direção. Além de talentoso, o goleiro é jovem, disciplinado e prata da casa, ou seja, uma ótima escolha para liderar o Milan nessa nova empreitada. Após vencer a desconfiança da torcida, que o chamou de mercenário, Donnarumma renovou seu contrato depois da disputa do Europeu Sub-21 - ao que tudo indica, para permanecer, e não para subir o valor de sua cláusula rescisória e render mais alguns milhões aos cofres milanistas.

Com a contratação de tantos jovens jogadores para posições diversificadas, o técnico Vicenzo Montella ainda deve lutar para encontrar a melhor formação e o estilo de jogo mais eficiente para o Milan, mas a manutenção do principal jogador do elenco é um excelente início. Se um grande time começa com um grande goleiro, o Milan tem tudo para voltar a ser gigante.

Crédito: acmilan.com

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