A renovação holandesa deve começar pelo banco


Quem viu a seleção holandesa recheada de jovens desconhecidos jogar um bonito e eficiente futebol na Copa de 2014 e só não avançar à final por perder a disputa de pênaltis contra a Argentina não poderia imaginar que, três anos depois, a Oranje, que já não disputou a Eurocopa, teria dificuldades para se classificar ao Mundial de 2018. Completamente desorganizada taticamente e totalmente dependente do veterano Robben, de 33 anos, a Holanda foi goleada por 4 a 0 pela França nesta quinta-feira e vê a vaga para a Rússia ficar cada vez mais longe.

Com a vitória da Bulgária sobre a Suécia, a Holanda agora é a quarta colocada do grupo A, com 10 pontos. A França lidera com 16, seguida da Suécia, que tem 13, e da Bulgária, com 12. Nas últimas rodadas a seleção holandesa enfrenta a búlgara, no domingo, em casa, além de Belarus fora e Suécia em Amsterdã em outubro.

Era de se esperar que os jovens holandeses que brilharam em 2014 fossem ser os motores da renovação da equipe nacional, que ainda não encontrou substitutos para Robben, Sneijder e Van Persie, os melhores jogadores da Oranje nos últimos anos. No entanto, tirando os três veteranos, apenas sete jogadores que disputaram a Copa no Brasil foram chamados para os confrontos das Eliminatórias desta semana, incluindo o goleiro Cilessen, que é reserva no Barcelona e só costuma atuar nos jogos da Copa do Rei. Esta temporada o guarda-metas ainda não entrou em campo pelo time catalão e, nos últimos seis meses, a única partida em que Cilessen vestiu a camisa do Barça foi a final da Copa do Rei, em maio. O holandês é um excelente arqueiro, sem dúvida, mas se tem uma posição em que ritmo de jogo faz toda a diferença é a de goleiro, e a escolha pelo jogador do Barcelona mostra que o técnico Dick Advocaat não sabe muito bem o que está fazendo.

Dick Advocaat, aliás, havia anunciado sua aposentadoria ao fim da última temporada, em que comandou o Fenerbahçe, quando foi chamado para assumir a Holanda numa tentativa desesperada de conseguir a vaga na Copa. Se a Holanda precisa se renovar, um treinador cujo último título de maior expressão foi a Copa da Uefa em 2007/8, com o Zenit, não parece a opção ideal para essa tarefa.

Outro titular na seleção no Stade de France que praticamente não vem jogando foi o atacante Vincent Janssen. Nesta temporada, o atleta do Tottenham foi discreto na derrota para o Chelsea e em 2016/17 foi reserva durante quase toda a campanha - e quando atuou desde o início em geral foi substituído no segundo tempo. Ou seja: marcou apenas seis gols.

Contra a França, aos 17 minutos do segundo tempo, a Holanda perdeu Strootman injustamente - no segundo cartão amarelo, o meio-campista praticamente nem encostou em Griezmann - e, perdendo de 1 a 0, Van Persie entrou no lugar de Janssen, mantendo o meio de campo desfalcado. O centroavante do Fenerbahçe ficou isolado na frente, pouco criou, e os Bleus passaram a aproveitar os contra-ataques contra uma Holanda que se mostrava totalmente desorganizada e desmotivada. Os três gols seguintes nasceram em bolas perdidas pela equipe holandesa no ataque. Os franceses avançavam em velocidade e trocavam passes facilmente, enquanto o meio de campo e a defesa laranjas não conseguiam se recompor - em determinados momentos, os jogadores pareciam que já tinham desistido de voltar à defesa.

Apenas Robben se salvou entre os Oranjes no Stade de France, tentando criar oportunidades em todos os lados do ataque. O atacante teve uma grande chance numa cabeçada quando o placar ainda marcava 1 a 0 e chutou uma bola na trave pouco antes do quarto gol francês. Blind até vinha fazendo uma boa partida, atuando na defesa, nas laterais e no meio de campo, mas fez uma linha burra tentando parar um contra-ataque que resultou em três jogadores franceses sozinhos à frente de Cilessen, e o terceiro gol dos Bleus. Sobre os outros holandeses em campo é melhor nem comentar.

A Holanda vem tentando se renovar desde o vice-campeonato em 2010, em que jogou um futebol bruto que não condizia em nada com a tradição laranja. Depois do fiasco na Euro 2012, Van Gaal deu um rumo à Oranje, que na Copa 2014 só não foi melhor que a campeã Alemanha. No entanto, a renovação iniciada pelo treinador não teve continuidade. Danny Blind teve um período confuso à frente da equipe nacional, e Dick Advocaat foi contratado para tentar salvar o time, mas parece estar afundando-o ainda mais.

Como já mencionado neste blog, a situação periférica em que se encontra a Holanda no mapa do futebol atrapalha o desenvolvimento de seus jogadores. Já muito jovens eles são titulares e se destacam nas equipes do país, sendo logo contratados por times de maior destaque. E, na maioria dos casos, ou se tornam grandes decepções, como Janssen no Tottenham e Depay no Manchester United (apesar de o atacante estar reencontrando seu melhor futebol no Lyon), ou esquentam o banco, não conseguem desenvolver seu melhor futebol e perdem ritmo de jogo. Poucos conseguem ser titulares em equipes grandes ou médias e manter o bom nível, como Wijnaldum no Liverpool, De Vrij na Lazio e Blind no United. É por isso que muitos jovens chamados por Van Gaal para o Mundial de 2014 já foram substituídos por outros jovens.

Seja qual for o técnico no comando da Oranje, ele precisa saber entrosar e tirar o melhor de jogadores com pouquíssima experiência - ou nenhuma experiência internacional -, jogadores que aos 23 ou 24 anos já são "veteranos" e os "três intocáveis", Robben, Van Persie e Sneijder, sendo que os dois últimos há tempos já não jogam o futebol que os levou à seleção em primeiro lugar. Independentemente de conseguir ou não a vaga na Rússia, a renovação holandesa tem que começar pelo banco, com um treinador que, além de encontrar o elenco ideal, consiga manter o estilo ofensivo holandês. Os craques dos anos 90 estão assumindo cargos técnicos e de gestão nos clubes holandeses e europeus, e um ídolo identificado com a filosofia da casa, como é Zidane no Real Madrid e foi Guardiola no Barcelona, parece uma opção melhor do que um senhor de 69 anos que não ganha um título há dez anos e mantém um time com um jogador a menos no ataque para tomar três contra-ataques mortais.

Crédito: uefa.com

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