As Eliminatórias dos pequenos 'Davis'


Seleção da Islândia comemora classificação à Rússia 2018

No esporte, é muito fácil simpatizar com os "Davis", aquelas equipes ou atletas de pouca ou nenhuma projeção no cenário mundial, para as quais, muitas vezes, a classificação para disputar um torneio relevante já parece um feito e tanto, em oposição aos "Golias" papa-títulos. Quem não torceu pelo Taiti na Copa das Confederações 2013, quando a seleção amadora do diminuto país da Oceania tomou 10 gols da Espanha no Maracanã? Na Copa 2018, teremos alguns "Davis" para apoiar entre um jogo e outro da Seleção Brasileira.

A segunda seleção favorita do mundo inteiro talvez seja, há pelo menos dois anos, a Islândia. O peculiar país europeu é o primeiro estreante do Mundial da Rússia. Com pouco mais de 330 mil habitantes, classificar-se para a fase final da Copa é um feito mais que histórico. O Uruguai, com 3,4 milhões de habitantes, é sempre lembrado como um ponto fora da curva no mapa do futebol. O país sul-americano tem dois títulos mundiais e, mesmo que o último deles tenha sido conquistado na primeira metade do século passado, em 2010 a Celeste alcançou o quarto lugar na África do Sul, à frente dos vizinhos mais "poderosos" Argentina e Brasil. É preciso um grande número de praticantes de um esporte no país para que a seleção dos melhores deles faça frente a outras seleções. E não é preciso nem dizer que a tradição futebolística do Uruguai está anos-luz à frente da islandesa.

A ascensão do futebol islandês, porém, não é novidade. Nas Eliminatórias para o Mundial do Brasil, os Vikings bateram na trave ao empatar sem gols e depois serem derrotados pela Croácia na repescagem europeia. Já nas Eliminatórias da Euro 2016, se classificaram em segundo lugar em um grupo que tinha a terceira colocada da Copa 2014, Holanda. Enganou-se quem achava que a Islândia faria figuração na competição europeia - como Cristiano Ronaldo. A seleção estreante se classificou para o mata-mata à frente de Portugal e eliminou a Inglaterra nas oitavas ao vencer por 2 a 1 um jogo que teve total domínio, caindo apenas para a França nas quartas. O passo seguinte foi se classificar para a Copa como primeira do grupo. Dependendo da chave em que for sorteada, a seleção islandesa pode fazer bonito também no Mundial e deixar sua marca no futebol - além da linda comemoração com palmas sincronizadas com a torcida.

Mas a Islândia pode ter que disputar com outras carismáticas seleções o carinho dos torcedores não-nacionais. Das equipes já classificadas, a que mais desperta empatia até o momento é o Egito. Sempre favorito na Copa das Nações Africanas e permanente decepção nas Eliminatórias para o Mundial, a seleção norte-africana garantiu a vaga com um gol de Salah nos acréscimos no último domingo e disputará sua terceira Copa, depois de 1934 e 1990. Se mantiver o excelente futebol que vem jogando no Liverpool, o atacante egípcio pode levar sua seleção a sonhos mais altos.

De volta à Europa, o País de Gales, que disputou com a Islândia o carinho da torcida na Euro 2016, deixou a vaga na repescagem escapar ao perder em casa para a Irlanda na segunda-feira, mas a Irlanda do Norte está na repescagem e pode voltar a jogar uma Copa do Mundo, assim como a vizinha Irlanda.

Na América do Sul, o Peru tenta sua vaga na Rússia em jogo às 20h30 desta terça-feira. Na África, Burkina Faso e Cabo Verde se enfrentam em novembro na última rodada do Grupo D, e, dependo do resultado de dois confrontos entre Senegal e África do Sul, o vencedor pode ser mais um estreante em Copas, assim como o Panamá, que enfrenta a Costa Rica na madrugada desta quarta-feira e precisa torcer contra os Estados Unidos no confronto contra Trinidad e Tobago para carimbar o passaporte para a Rússia - ou pode ainda ficar com a vaga na repescagem contra a Austrália.

No entanto, a seleção que certamente seria a favorita de praticamente todo mundo, a Síria, foi eliminada nesta madrugada ao perder, na prorrogação, para a Austrália por 2 a 1 depois de um heróico empate em 1 a 1 no jogo de ida. Para um país em guerra civil há mais de seis anos, a classificação para a repescagem asiática (cujo vencedor ainda disputa mais uma repescagem, contra o quarto colocado da Concacaf) foi comemorada como um título inédito.

Com equipes de pouco destaque conquistando seu lugar na Rússia em 2018 e favoritas decepcionando, como a Holanda, que está praticamente eliminada, e a Argentina, que está fora da zona de classificação, mas ainda tem grandes chances de conquistar a vaga, as Eliminatórias para o próximo Mundial já foram bem mais emocionantes que algumas Copas passadas.

Crédito: UEFA.com/AFP/GettyImages

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