Antes de "fechar o grupo"


Tite fez sua última convocação antes da Copa. E, como os outros 207 milhões de técnicos de futebol brasileiros, vou aqui dar a minha opinião. Na lista do treinador aparecem algumas surpresas e outros nomes pouco usuais. Tite quer fazer os últimos testes antes de “fechar o grupo”. Sempre vale lembrar que nas últimas três Copas o Brasil teve seu “grupo” fechado bem antes do Mundial, o que resultou em campanhas pífias, desastrosas e vergonhosas. E, mesmo que o grupo de Tite já esteja bem azeitado e dando certo há algum tempo, nunca é tarde para experimentar.

Particularmente sou contra convocar jogadores que atuem em campeonatos extremamente fracos, como o chinês, mesmo que Paulinho tenha continuado jogando bem com a Amarelinha, o que lhe valeu uma contratação pelo Barcelona e que agora ele brilhe em gramados espanhóis. Acho que o caso de Paulinho é uma exceção, que um jogador que priorize os milhões de dólares dos clubes chineses a uma liga competitiva, principalmente ainda com muito futebol para gastar, não merecem representar o Brasil e muito menos numa Copa do Mundo. Mais do que isso, atuar com adversários e companheiros de baixíssimo nível técnico faz com que o seu nível também decaia. E muito.

Desta vez, apenas Renato Augusto foi chamado da China. Não assisto o Campeonato Chinês para opinar sobre as atuações dele por lá – Tite assiste? –, mas, mesmo que com a pífia concorrência asiática ao redor ele esteja brilhando, com a própria camisa da Seleção ele não fez muito ultimamente, não é? – Ao contrário do próprio Paulinho, que, mesmo na China, sempre que vestia a Amarelinha justificava a aposta do treinador.

No entanto, mais do que opinar sobre nomes que não me parecem merecer estar na convocatória – Renato Augusto não é o único –, acho mais válido mencionar aqueles que há algum tempo merecem um pouco de atenção pelo treinador, mas que tudo indica que ficarão mesmo fora do Mundial.

Este fim de semana David Neres brilhou novamente pelo Ajax – antes que rebatam a minha crítica, eu sei que o Campeonato Holandês não é nenhuma Premier League, mas está a anos-luz da liga chinesa. O atacante ex-são paulino chegou quietinho a Amsterdã, foi se destacando aos poucos entrando no segundo tempo e agora é titular indiscutível e um dos melhores do time – se não do país. Nesta temporada, já são 25 partidas pela Eredivisie (22 como titular, com o Holandês na 27a rodada), com 10 gols e 9 assistências – sendo alguns lances de extrema beleza.

Muito provavelmente o atacante de 21 anos não continuará no time de Amsterdã ano que vem. Seguindo a “ordem natural do futebol”, é de se esperar que vá para uma liga mais forte. E, ainda que inexperiente, Neres poderia ganhar muito com uma eventual convocação para a Rússia, como aconteceu, por exemplo, com Ronaldo em 94, Kaká em 2002 e como o Brasil inteiro pediu para o próprio Neymar em 2010.

Outro que poderia completar o banco de atacantes da Seleção no Mundial é Richarlison, um dos principais responsáveis pelo pequeno Watford estar na metade superior da tabela da Premier League, apesar de ter caído de produção na segunda metade da temporada (tanto o atacante quanto o time). O brasileiro não está entre os melhores marcadores da Inglaterra, mas quase sempre é o destaque da equipe – principalmente contra grandes clubes, o que faz muita diferença no forte Campeonato Inglês –, faz gols ou dá assistências importantes e é bastante versátil – de seus cinco tentos na liga na temporada, um foi de cabeça, dois de pé direito e dois de pé esquerdo. Richarlison soma ainda quatro assistências em 2017/18. Tudo bem que o ex-jogador do Fluminense está longe de ser um Neymar ou Gabriel Jesus, mas também o estão Taison e Willian José, e Richarlison poderia ser uma boa opção para o segundo tempo.

Caso Tite preferisse completar a lista de atacantes com um jogador mais experiente, como Taison (30 anos), e não com jovens como David Neres ou Richarlison, Raffael, atualmente no Borussia Möchengladbach é um nome consagrado na Alemanha e há cinco anos vem mantendo o tradicional time alemão longe da luta contra o rebaixamento – em 2014/15 e 2015/16 o Gladbach até se classificou para a Champions, com o brasileiro marcando 12 e 13 gols respectivamente.

Estivesse eu a fazer a convocação, teria mudado também a lista de laterais. Marcelo é indiscutivelmente o melhor lateral esquerdo do mundo já há algum tempo, mas seu substituto poderia ser Alex Sandro, da Juventus, e não Filipe Luis. O jogador do Atlético de Madrid é regular e esforçado, funcionando muito bem no esquema de Simeone – quando foi para o Chelsea, deixou a desejar e acabou voltando à Espanha – mas não brilha como Alex Sandro vem fazendo na Itália. O ex-santista é um dos destaques de um competitivo elenco, que foi à final da Liga dos Campeões na temporada passada e que, esta semana, eliminou o Tottenham em Londres com uma eficiência impressionante. Além disso, diferentemente do que costumam fazer os laterais brasileiros, Alex Sandro tem também ótima atuação defensiva.

Na direita Daniel Alves ainda reina absoluto, sem ser ameaçado. No entanto, há um jogador que há pelo menos duas temporadas é um dos melhores brasileiros na Europa e poderia ser o famoso “curinga” que os técnicos da Seleção tanto gostam de convocar, podendo atuar tanto na lateral (direita, sua de ofício, ou esquerda) quanto no meio de campo: Fabinho, do Monaco. Desde que o time do Principado bateu o Paris Saint-Germain na Ligue 1 e chegou à semifinal da Champions na temporada passada, o nome do ex-Fluminense é um dos mais falados nos mercados de transferência. O Monaco, porém, conseguiu segurar o brasileiro de 24 anos, que há alguns anos vem jogando (muito bem) como volante. Até porque... Fágner, né?

Créditos: Ajax.nl, Facebook Watford FC, Facebook Juventus, Facebook AS Monaco

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