Mercado de transferências: Real Madrid


Um blog sobre futebol, principalmente europeu, que é publicado às vésperas do fim da temporada no Velho Continente tem que falar de mercado de transferências, não tem outro jeito. Mas, ao invés de bater nas mesmas teclas de jogadores cobiçados e boatos de compras, vou fazer aqui um perfil de possíveis contratações dos principais times. O objetivo não é tentar adivinhar quem vai trocar qual time por qual, mas delinear onde e que tipo de jogadores as equipes deveriam buscar - até porque todo mundo sabe que muitas vezes os clubes não contratam atletas para reforçar setores deficientes, e sim para aumentar a quantidade de astros ou de manchetes chamativas.

Começo pelo Real Madrid não porque ganhou a Champions - e foi objeto de outros três posts neste ainda incipiente blog -, mas porque Morata está com um pé fora do clube, e não quero perder o timing. O atacante espanhol é um dos maiores talentos do país que ganhou um Mundial e duas Eurocopas nos últimos nove anos praticamente sem centroavante - em 2008 Fernando Torres ainda jogava bem, mas sua carreira entrou em declínio vertiginoso logo após marcar o gol responsável pela ascensão da Espanha no futebol mundial. Morata teve algum destaque na reserva do Real Madrid e, cansado do banco, foi para a Juventus. Na Itália não foi titular absoluto, mas eliminou seu antigo time na semifinal da Champions e acabou voltando a Madri. Teve mais minutos na equipe merengue na última temporada que nas anteriores, porém, mesmo com o rodízio promovido por Zidane, é difícil brigar pela titularidade no melhor time do mundo.

Aos 24 anos e às vésperas da Copa 2018, Morata busca um time onde possa jogar uma temporada completa. Isso causa um problema para o Real Madrid. Além de Morata, James Rodríguez é outro reserva de destaque que deve sair, e o Real deve ir ao mercado basicamente para buscar reservas. A questão é encontrar reservas à altura de Morata e James - que, por sua vez, estão à altura dos titulares merengues.

Nos últimos anos, o Real vem fugindo à sua regra de uma contratação galáctica por temporada - o colombiano James foi, em 2014/15, exatamente a última aquisição desse tipo. E, para suprir as prováveis perdas no setor ofensivo, deveria seguir nesse caminho. Contratações mais discretas, como foi a de Asensio, e o retorno de jogadores emprestados, como Marcos Llorente, que fez ótima temporada no Alavés vice-campeão da Copa do Rei, seriam uma boa solução para o clube. Até porque a "contratação galáctica" da temporada já foi feita, com Vinicius Júnior, mesmo que o brasileiro ainda não tenha o destaque que Neymar tinha quando chegou ao Barcelona e só desembarque em Madri daqui a um ano e meio. E o Real parece ainda não ter desistido do goleiro De Gea.

Vinicius Júnior, aliás, é uma clara tentativa do Real Madrid de se redimir da perda da disputa por Neymar para o maior rival e de não deixar escapar novamente o próximo maior talento do Brasil - ou ao menos essa é a expectativa. No entanto, vale a pena lembrar que, antes de Neymar, o último brasileiro a deixar o país rumo à Europa sem experiência internacional e por um alto valor foi Lucas Moura, que até hoje não conseguiu se firmar no Paris Saint-Germain.

Além de Morata e James, o Real deve perder ainda Fabio Coentrão e Pepe. Ambos são, atualmente, apenas reservas e fizeram pouca diferença na última temporada, além de já terem idade um pouco avançada. Novamente, apostar em jogadores talentosos, porém ainda jovens e sem muito destaque, seria uma boa solução, já que a reserva num grande time é uma ótima condição para esse tipo de jogador se desenvolver e se acostumar à pressão. E ainda dá seguimento ao processo de renovação da equipe.

Crédito: Ángel Martínez/realmadrid.com

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